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A mancha que atormenta o Brasil

   
   (Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Pixel Press/Folhapress)

       A tragédia ambiental que vem afetando o Nordeste do país parece seguir incontrolável. Desde agosto deste ano, inúmeras manchas de óleo cru têm surgido ao longo da costa nordestina, afetando a biodiversidade e, consequentemente, a economia local como um todo. No total, mais de 300 localidades foram atingidas por um mal que, até o momento, não se sabe a origem.
            
         Apesar da extensão do dano, observa-se uma preocupação muito maior das comunidades locais, ambientalistas e ONG’s voltadas para a preservação da natureza do que propriamente do governo federal. Isto só demonstra a incapacidade das devidas autoridades em lidar com este tipo de problema, o que não é nenhuma novidade. Reforça esta tese os inúmeros casos recentes que, da mesma forma, foram tratados com pouco cuidado e bastante inércia por esta esfera governamental: o desastre de Brumadinho, no início do ano, e a preocupante escalada no número de queimadas na Amazônia.
             
                Enquanto não existir um olhar voltado para a prevenção, o Brasil seguirá sendo vítima de problemas com tamanha magnitude. O constante ‘modo de espera’ das autoridades parece não ter fim, mesmo este servindo mais como uma espécie de ‘enxugar gelo’ do que ações concretas de estudos, mitigação e controle para possíveis emergências. Será que a atual política de afastamento do atual governo em relação a Região Nordeste serve de explicação para tamanho descaso?
   
           Atuar de forma seleta e governar para nichos não parece ser o papel de um governo democrático, cuja essência de sua palavra remete a prestação de serviços para o povo como um todo, sem distinções. E a próxima parada da mancha gera ainda mais preocupação: Abrolhos, região localizada no Sul da Bahia e considerado um dos principais locais de preservação da biodiversidade do Atlântico Sul.
   
          A sociedade clama por socorro, mas nossos governantes seguem tratando o problema como ‘só mais um’ caso ambiental, baseando suas respostas em achismos ao invés de encontrar soluções eficazes e definitivas para esta grave questão. 

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